Estresse: Aprenda a reconhecê-lo para administrá-lo!

Atualmente o estresse é a condição mental mais comumente observada na prática médica, seja em ambulatórios, hospitais ou na medicina do trabalho.
O estresse sempre fez parte da existência humana, sendo necessário ao nosso organismo para adaptar-se e reagir a mudanças, dando possibilidades para tomadas de atitudes em busca de melhorias para si e para o próprio ambiente.
Mas nem sempre o estresse é algo benigno. Passa a ser nocivo quando é mal administrado, quando se torna duradouro ou quando supera a capacidade de adaptação e reação do indivíduo.

O que é estresse?
Estresse não é um diagnóstico, doença, ou síndrome. Estresse é um conjunto de sintomas emocionais ou físicos, não específicos, que podem estar associados ou não a uma doença ou síndrome. A associação do estresse com uma determinada doença irá depender da vulnerabilidade individual; da intensidade, natureza e duração do estresse, além da capacidade do indivíduo em se adaptar ou modificar os recursos disponíveis em seu ambiente.

O que é um fator estressor?
Fator estressor é qualquer evento, acontecimento ou circunstância que exerça influência física, emocional ou mental em um indivíduo. Geralmente os fatores estressores estão relacionados ao convívio social e familiar, ambiente de trabalho, meio ambiente, condição de saúde e situação sócio-econômica do indivíduo, dente outros.

Quais são os sintomas do estresse?
Como já dito, os sintomas são inespecíficos. Podem ser de fundo psicológico como irritabilidade, redução da concentração e memória, insônia, isolamento, desânimo, apatia e emotividade acentuada. Já os sintomas de origem física estão relacionados ao cansaço, fadiga, dores pelo corpo, dores de cabeça, palpitações, quedas de cabelo, dentre outros.

Quais são as conseqüências do estresse?
Para algumas pessoas, o estresse pode causar doenças ou contribuir para uma deterioração da saúde física ou mental. Embora os estudos científicos não tenham chegado a um consenso definitivo, o estresse pode contribuir para o desenvolvimento de graves doenças como o derrame cerebral, infarto do coração, úlceras gástricas e até mesmo a síndrome do intestino irritável. Tudo irá depender da vulnerabilidade de cada indivíduo frente às situações de estresse.
Do ponto de vista psicológico, o estresse pode estar relacionado ao desenvolvimento de transtornos de ansiedade, síndrome do pânico e depressão.

Como tratar o estresse:
Existem diversas maneiras de tratar, aliviar ou administrar o estresse. Dentre as principais, podemos citar:
– Terapias cognitivas e comportamentais: trata-se de um trabalho feito por psicólogos que visa orientar o indivíduo sobre a melhor maneira de administrar o estresse e os fatores estressores, administrar conflitos e resolver problemas.
– Técnicas de relaxamento, como a meditação, por exemplo.
– Prática de atividades físicas regulares.
– Ter uma alimentação saudável.
– Oficinas de estresse para o ambiente de trabalho.
– Em alguns casos, por determinado período, o uso de medicamentos pode ser necessário. Nestes casos, o médico sempre deve ser procurado.

Conclusão:
Combater o estresse não é uma tarefa fácil. Muitas vezes iremos precisar da ajuda de familiares, amigos e colegas de trabalho, principalmente quando a resolução de um fator estressor depende do envolvimento de várias pessoas. Diante disto, a melhor forma de lidarmos com tais situações de estresse é adotarmos hábitos de vida saudáveis com uma boa dieta e a prática atividades físicas regulares, de forma a preparar melhor nosso organismo para os desafios do dia-a-dia.

“A coexistência nos foi imposta, mas a convivência deve ser trabalhada.”
Dr. Júlio Sanderson.

Edição e Texto:
Dr. Henrique Braga.

Referências:

Stress-related conditions. Elk Grove Village (IL): American College of Occupational and Environmental Medicine (ACOEM); 2004. 27 p.

Work Loss Data Institute; 2007 Apr 12. 153 p.

Motivação no trabalho e produtividade

Motivação

Um bom nível de motivação no trabalho geralmente está associado a um aumento de produtividade. A história contada a seguir é verídica, referente à Fedex, ilustrando bem o elo existente entre motivação no trabalho e produtividade: Em Nova York, um caminhão da Fedex sofreu uma avaria, e o caminhão substituto estava atrasado. O motorista inicialmente entregou alguns pacotes a pé. Mas, com medo de que não pudesse concluir o trabalho a tempo, conseguiu convencer um motorista da concorrência a levá-lo para fazer as últimas entregas.

Histórias como essa demonstram o objetivo estratégico da companhia de ser a empresa de entrega de pacotes mais confiável do mundo. Um alto executivo de vendas pode usar essa história para dizer: “Isso demonstra a seriedade com que assumimos nossas responsabilidades”. Um motorista novato pode utilizá-la como um guia da sua conduta: “Meu trabalho não é dirigir um caminhão por uma rota determinada e chegar à minha casa às 5h da tarde. Meu trabalho é entregar pacotes na hora prevista, não importam as dificuldades”.

Isso que é motivação!

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Depressão

DeprimidaOs tratamentos e estratégias mais eficientes para superar a depressão: O papel do médico, do psicólogo, dos alimentos e das atividades físicas. Pesquisas e estudos internacionais reunidos de forma simples e prática para a compreensão das diversas formas de combate à esta doença que impacta na qualidade de vida de milhões de pessoas.

Depressão é uma doença

Doença muito freqüente: 17% da população irá desenvolver depressão ao longo da vida.

Doença crônica: 50% desenvolvem mais de um episódio de depressão

Grande impacto na qualidade de vida e na produtividade no trabalho: Até 2020 será a segunda maior causa de incapacitação. Só perdendo para doenças do coração.

Depressão nas empresas

Também é considerada uma das maiores causas de presenteísmo (prejuízo no rendimento mesmo estando presente no ambiente de trabalho). A depressão no ambiente de trabalho pode provocar grandes prejuízos financeiros, visto que, existe um atraso entre a manifestação dos sintomas e o diagnóstico. A realização de screenings para o diagnóstico precoce do transtorno depressivo em empresas pode vir a ser um bom investimento para prevenir estes prejuízos.

Depressão não é tristeza

É uma doença que provoca alterações bioquímicas cerebrais.

É uma doença que repercute em todo organismo (Dores pelo corpo, queda de imunidade, desregulação hormonais).

É uma doença que repercute em diferentes aspectos do indivíduo: família, amizades, trabalho.

Diagnóstico da depressão

O diagnóstico da depressão ou Transtorno Depressivo deve ser realizado por um médico. Segundo o DSM IV (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders IV. A depressão é diagnosticada quanto existe a presença de sintomas abaixo (Sendo que a presença de um dos dois primeiros é obrigatória, enquanto os demais não estão todos necessariamente presentes) por pelo menos 02 semanas:

Humor deprimido a maior parte do dia.

Diminuição acentuada de interesse ou prazer em quase todas as atividades.

Alterações de apetite.

Alterações de sono.

Agitação ou lentificação.

Cansaço.

Culpa ou sentimento de inutilidade.

Falta de concentração.

Pensamento de morte.

Médico Psiquiatra

Para superar a depressão o primeiro passo é consultar um médico, que deve:

Ouvir e examinar o paciente.

Identificar condições clínicas que podem acarretar sintomas depressivos (Ex: Hipotireoidismo, Câncer, Tuberculose, etc).

Solicitar exames se for necessário.

Realizar o diagnóstico correto.

Prescrever de forma personalizada medicamentos antidepressivos.

Orientar quanto a psicoterapia e também sobre outros aspectos.

Antidepressivos

A prescrição de medicamentos é um ato exclusivamente médico, porque:

Necessita de um diagnóstico correto.

Necessita do entendimento do funcionamento da droga.

Necessita da compreensão de interações medicamentosas.

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Os medicamentos antidepressivos:

São medicamentos que agem no cérebro restaurando o equilíbrio dos neurotransmissores.

Não viciam.

Trazem melhora do quadro em torno de 02 a 04 semanas.

O tratamento deve ser continuado por pelo menos 12 meses para evitar recaídas; ou a critério do médico.

Psicoterapia

Conduzida por um Psicólogo especializado. Importante para ajudar a desenvolver estratégias para lidar com fatores estressores.

Importante em quadro recorrentes. Em associação com medicamentos.

Eficaz no tratamento de quadros leves e moderados. Os tipos de psicoterapia indicadas para o Transtorno Depressivo são:

Psicoterapia cognitiva,

Psicoterapia interpessoal,

Psicoterapia com foco na resolução de problemas,

Alimentação no combate à depressão

Os alimentos são importantes aliados no combate a depressão:

Gorduras aliadas (Protegendo cérebro e coração)

Gorduras poli e monosaturadas

Peixes

Óleos vegetais

Castanhas e amêndoas

Carboidratos aliados (Energia sem criar barriga)

Frutas e verduras

Feijão e leguminosas

Cereais e grãos integrais

Massas feitas de farinha integral

Atividades físicas

Atividades físicas regulares são eficazes contra a depressão.

O que importa é a regularidade

Comece devagar: 20min 3x/semana.

Não precisa sentir dor.

Intensidade: Capaz de falar, mas não de cantar!

Torne um lazer:

Procure uma turma ou um grupo

Música ou filme

Esporte

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Referências

1. British Medical Journal 322,no. 7289 (2001): 763-767.

2. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders IV.

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Dr. José Hamilton

http://www.medicopsiquiatra.com


Apagão de trabalhadores

Apagão de trabalhadores tem sido a expressão utilizada para descrever a falta de mão-de-obra especializada para atender as demandas de oferta de emprego de indústrias que utilizam níveis diferenciados de tecnologia em diversas áreas.

Diante desta nova situação, o que pode ser feito para tentar resolver ou minimizar este problema?

A primeira resposta é a capacitação profissional. Uma questão de lógica. Mas temos que entender que o investimento em capacitação profissional leva tempo para ser concretizado até termos um equilíbrio entre mão-de-obra e oferta de emprego. Outro ponto que atrapalha este processo é que quase nunca se sabe se a responsabilidade desta capacitação é do governo, da iniciativa privada ou de serviços como SESI por exemplo. Esta indecisão costuma sair muito cara para todos.

A CNI (Confederação Nacional da Indústria) acaba de lançar o mais completo levantamento sobre capacitação profissional no país, baseado em entrevistas com empresários: 56% deles revelaram sofrer com a falta de mão-de-obra qualificada.
As maiores reclamações ocorrem, segundo o estudo, nas atividades de álcool (76%), vestuário (75%), indústrias extrativas (71%), máquinas e equipamentos (70%) e veículos automotores (67%).

Bom, se a capacitação profissional não é uma saída a curto prazo, vejamos então um plano B, que muito se parece com uma política de prevenção de danos:

Para entendermos melhor esta segunda solução para o problema de apagão de trabalhadores, vamos pegar alguns dados da indústria americana, onde 70% dos novos contratos de trabalho são provenientes de funcionários que estavam trabalhando ativamente em outras empresas e apenas 30% das novas admissões são de trabalhadores que estavam desempregados. Nos Estados Unidos, a falta de mão-de-obra especializada também é um problema, que é resolvido parcialmente contratando trabalhadores especializados de outras empresas (tampa-se um buraco fazendo-se outro em 70% dos casos das novas contratações).

Diante disto, fica fácil de entender que nosso plano B, que deveria ser A (prioridade absoluta), está em manter e cultivar toda mão-de-obra especializada, incluindo talentos e funcionários de destaque bem arraigados na empresa onde trabalham, pois o risco dos mesmos migrarem para outras empresas é muito grande.

Para mantermos um profissional altamente capacitado e especializado fiel à empresa (evitando até mesmo migração para outros países), precisamos observar e analisar os três pilares de sustentação deste funcionário na corporação, que são: Remuneração (aspecto financeiro), Qualidade de Vida (aspecto de saúde) e Satisfação Intelectual (aspecto pessoal, que se trata da relação entre o potencial intelectual desenvolvido e adquirido através de suas experiências acadêmicas e profissionais X potencial intelectual explorado pela empresa). Com relação a este último pilar, muitos trabalhadores altamente qualificados sentem-se insatisfeitos por terem seu potencial parcialmente explorado pela empresa, mas não se queixam quando esse potencial é exigido ao extremo. A capacidade de vencer desafios e superar obstáculos é que faz a diferença nestes profissionais. Para eles, satisfação intelectual não tem preço, na grande maioria das vezes.

Qualidade de Vida também é fundamental. Um ambiente com alto nível de estresse pode ser o fator decisivo para um pedido de desligamento. Estresse causa muita insatisfação e perda de produtividade no trabalho, além de ser um fator de risco para o desenvolvimento de outras doenças como hipertensão arterial, insônia, dores crônicas, colesterol alto, infarto do coração, etc… Cuidar bem de seus trabalhadores, dando atenção à saúde e qualidade de vida, tem sido o segredo do sucesso de muitas organizações. Vejam o exemplo da FEDEX (EUA) e da MASA (Brasil – Eleita pela segunda vez consecutiva a melhor empresa para se trabalhar).

Remuneração: Geralmente este fator não é um grande problema quando falamos de grandes indústrias que utilizam tecnologia de ponta, altamente lucrativas.

Para tirar um trabalhador especializado de uma empresa onde a sua qualidade de vida é ruim ou sua satisfação intelectual é baixa, basta oferecer para ele um salário igual ou um pouco menor do que já ganha, não precisa mais do que isso. Mas se esse trabalhador tem um alto padrão de qualidade de vida no trabalho, bem como alta satisfação intelectual, a remuneração ofertada para sua migração para outra empresa tem que ser bem maior que a remuneração da empresa atual, para pelo menos compensar possíveis prejuízos de perda de qualidade de vida e satisfação intelectual no ato da mudança de emprego.

A rotatividade de pessoal ou “turnover” de pessoal gera muitos prejuízos para a empresa (por conta de custos com novos treinamentos, perda de produtividade até achar um profissional substituto de qualidade, etc.). Ultimamente tem se falado em rotatividade de pessoal como fator fundamental para o sucesso ou fracasso de uma corporação.

Desse modo, para solucionarmos essa crise de apagão de trabalhadores, temos que atuar em duas frentes de batalha: a primeira na capacitação de pessoal, a segunda (na minha opinião bem mais importante) no cultivo e manutenção de seu atual quadro de funcionários especializados. Por conta disto, as empresas têm investido cada vez mais na valorização e qualidade de vida de seu pessoal.

Acredito que o pleno desenvolvimento do capital humano bem como a retenção e cultivo dos profissionais especializados possam se tornar um diferencial competitivo através do investimento em programas de promoção de saúde e qualidade de vida.

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Dr. Henrique Braga
Diretor de Projetos
PROMOVIDA Gestão de Saúde e Produtividade
www.promovida.com.br

Assinatura

Gestão de Saúde e Produtividade : Proposta de um modelo para Parceria Público-Privada

O atual cenário de saúde do Brasil está muito longe do ideal. O Sistema Único de Saúde (SUS) está sobrecarregado, tendo que lutar contra altos gastos em hospitais secundários e terciários, que utilizam quase toda a verba disponível para o tratamento de alto custo das doenças crônicas (DC). Desse modo, falta dinheiro para programas de promoção de saúde e prevenção de doenças para as comunidades e postos de saúde, superlotando ainda mais as enfermarias e prontos socorros dos hospitais. Trata-se de um círculo vicioso.

As doenças crônicas (Infarto do Coração, Derrame Cerebral, Câncer, Doenças Pulmonares Obstrutivas Crônicas, Diabetes e Hipertensão Arterial, por exemplo) respondem por cerca de 60% a 80% do total de mortes/ano no Brasil. São grandes responsáveis por aposentadorias por invalidez ou licenças médicas de longo prazo, o que causam grande prejuízo na produtividade do trabalho e grande despesa para a Previdência Social e o SUS.

Os planos de saúde caíram na mesma armadilha do SUS. Por não investirem em promoção de saúde e prevenção de doenças, seus usuários acabam por seguir o mesmo caminho dos usuários do SUS, embora tenham consistente melhoria no atendimento e realização de exames, muitos exames, talvez até desnecessários. Isto encarece muito os custos de manutenção de uma operadora de saúde, o que é repassado aos seus usuários com aumento constante das mensalidades, que já são bem elevadas. Os planos de saúde já têm uma dívida, que somadas, chegam a 90 bilhões de reais em todo o país.

No panorama atual, não há comunicação ou esforço conjunto entre SUS e planos de saúde para o combate às doenças crônicas (DC), acarretando prejuízo para ambos, para o sistema previdenciário e para o Brasil.

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Já sabemos, através de estudos da Organização Mundial de Saúde (OMS) que 80% dos Infartos do Coração, Derrames Cerebrais e Diabetes podem ser prevenidos, bem como 40% dos casos de Câncer. Então, por quais motivos não há um esforço conjunto entre o Ministério da Saúde e o sistema privado (planos de saúde e empresas) para a prevenção e detecção precoce de tais doenças? Realmente é difícil de entender.

Em 2005/2006, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) lançou um programa de promoção de saúde e prevenção de doenças para serem seguidos pelos planos de saúde. Em troca, as operadoras de saúde que aderissem a tal programa, teriam uma redução no valor da reserva garantidora de benefício, uma espécie de poupança depositada em juízo por cada operadora, que visa garantir o atendimento da maioria de seus usuários. Para um plano de saúde existir, precisa depositar primeiramente pesadas quantias de dinheiro nesta “poupança”. Pela proposta da ANS, os descontos de abatimento poderiam variar de 25 a 75%, a depender da abrangência e complexidade dos programas de promoção de saúde e prevenção de doenças implantados. Uma contradição disto tudo é que não existe proposta semelhante para o SUS. Mas já é um começo. Pelo menos sabemos que existem pessoas sensatas no governo, que pensam em prevenção de doenças como fator determinante para um país saudável.

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Um conceito novo que pode mudar completamente o painel de saúde no Brasil, que já está em fase de estudo e implantação em países como o Canadá e Estados Unidos (EUA), seria a adesão das Empresas, de qualquer porte, ao processo de conscientização em saúde e prevenção de doenças, integrando saúde e produtividade.

Produtividade. Esta é a palavra chave de todo este processo de mudança em saúde, que pode integrar o Governo, Planos de Saúde e Empresas em prol de um único objetivo: melhorar a saúde e qualidade de vida dos trabalhadores e da população.

Já existem estudos bem consistentes, publicados em revistas de grande importância internacional, dizendo que a cada Euro investido em programas de promoção de saúde, você tem um retorno de investimento de cerca 3 ou 4 vezes o valor investido. Por que isto ocorre?

No dia-a-dia do trabalho, as empresas podem perder rendimento por conta de doenças de seus trabalhadores por dois motivos principais: absenteísmo (faltas, licenças médicas, afastamentos) e presenteísmo (perda de produtividade no trabalho, estando o trabalhador presente). A maioria das empresas não conseguem quantificar estas perdas, principalmente as causadas pelo presenteísmo, que são bem maiores. Se uma empresa investe em programas de qualidade de vida, tais perdas de produtividade são drasticamente reduzidas, gerando lucro e retorno de investimento.

Vamos a um exemplo: Imagine que determinado dia, o Sr. João, já não agüentando o estresse de sua empresa, acabou entrando em depressão, somados a outros motivos sociais e familiares. Apesar disso, por pensar ser forte e resistente, não procurou auxílio médico, trabalhando sobre esta nova condição de doença por aproximadamente 9 meses. No nono mês já não conseguia sair de casa para trabalhar. Procurou um médico que lhe prescreveu antidepressivos e uma terapia com uma psicóloga, dando também um atestado de 30 dias de afastamento do trabalho, podendo ser renovado caso não houvesse melhora. Neste contexto, o empregador terá a idéia de perder apenas 30 dias em termos de produtividade no trabalho, mas o que ele não sabe é que a depressão pode causar uma perda de produtividade no dia-a-dia que pode variar de 40 a 60% (é o presenteísmo), não calculado, não medido, subestimado.

Se o Sr. João fosse um vendedor, estaria perdendo cerca de 40 a 60% de possíveis vendas por dia, sem o empregador ter a mínima noção destas perdas. Costuma-se comparar que as perdas de produtividade por absenteísmo sejam apenas a ponta do iceberg. Abaixo da superfície estaria um imenso bloco de gelo, representado pelo presenteísmo.
Diante disto, as empresas teriam todos os motivos do mundo para investir em programas de saúde e qualidade de vida, mas não o fazem. Muitas até pagam planos de saúde, de forma integral para seus trabalhadores, atuando apenas de forma curativa, não preventiva. Isto não resolve o problema, trata-se apenas de uma medida paliativa. Raras são as empresas que acordaram para este problema. Aquelas que investem em saúde e produtividade já estão colhendo belos frutos, mesmo sem incentivos fiscais ou ajuda do Governo.

Talvez o Governo pudesse dar uma ajudinha para mudar toda esta situação.

Vejamos um outro exemplo: Uma empresa de 1000 funcionários, que fature cerca de 12 milhões de reais/ano, resolve implantar um programa de saúde integrado à produtividade, investindo 30 reais /funcionário / mês (bem mais barato que um plano de saúde), o que daria um total de 360.000,00 reais por ano. Segundo estudos científicos já realizados, poderíamos esperar um retorno de investimento na ordem de 3 a 4 vezes o valor investido (supondo que seja um ótimo programa de saúde e produtividade), gerando um retorno de investimento de até 1.440.000,00 reais por ano.

Supondo que o Governo cobrasse 15% de impostos sobre este valor, a empresa teria que lhe pagar 216.000,00 reais/ano. O programa total custou 360.000,00 reais. Veja aonde quero chegar: Se o Governo subsidiasse 50% do investimento no programa de saúde feito pela empresa, mesmo assim não sairia perdendo, ganharia novos 36.000,00 reais(216.000,00 – 180.000,00) de impostos ao ano. Seria um grande incentivo para investimento em saúde pelas empresas. Desse modo, o Brasil ganharia um poderoso aliado no combate e prevenção de doenças crônicas, reduzindo, mais uma vez, as despesas com o SUS e a Previdência Social.

Por conseguinte, os planos de saúde empresariais também sairiam lucrando na mesma proporção que as empresas. Façam os cálculos: é mais barato descobrir precocemente que um trabalhador seja portador de hipertensão arterial ou tratar de um Derrame Cerebral, em uma Unidade de Terapia Intensiva, ocasionado por uma hipertensão não previamente diagnosticada ou tratada adequadamente? Pelo visto, a parceria entre empresa, plano de saúde e Governo pode dar mais certo do que se imagina.

Tal incentivo fiscal poderia abranger também os planos de saúde que investissem em prevenção de doenças e qualidade de vida de seus usuários. Posso arriscar a dizer que se tais planos investissem de forma independente na qualidade de vida de seus usuários, dentro de uma empresa, já avistariam considerável retorno de investimento a médio e longo prazo.

Um projeto parecido com este já está em andamento, esperando aprovação no Senado americano. Mais uma vez os EUA saem na frente. Estão apostando pesado nesta nova idéia de incentivo à promoção de saúde nas empresas, já sabendo que o aumento da produtividade é certo.

Todos saem ganhando, o Estado, os planos de saúde, as empresas, os trabalhadores (T) e a sociedade.

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Uma vez implantado este modelo de parceria público-privada (PPP), as empresas formariam uma legião de trabalhadores (T) com consciência em saúde e hábitos saudáveis, orientados com relação à prevenção de doenças crônicas e controle de fatores de risco (tabagismo, hipertensão, obesidade, etc.). Isto é educação em saúde.

Dessa forma, os trabalhadores poderiam levar esta rica e importante sabedoria em saúde para seus familiares e amigos, dissipando para suas comunidades os resultados e ensinamentos do que chamamos de “Cultura Empresarial de Saúde”.

Autor: Dr. Henrique Braga
Email: henrique_jf@hotmail.com
www.neurologistadf.com

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Criatividade e Qualidade de Vida nas Empresas

“O que veio primeiro? O ovo ou a galinha? Criatividade ou Qualidade de Vida?

A economia está evoluindo, assim como as empresas e o trabalho. Hoje quando se fala em produtividade é bem diferente do entendimento que se teria há um século.

 


Estamos bastante adiantados na evolução a partir de uma sociedade braçal, para um sociedade baseada no conhecimento, relacionamento humano, adaptação e criatividade. Neste ponto o conceito de qualidade de vida torna-se cada vez mais importante.


As empresas competitivas trazem este conceitos em sua estratégia de negócios, sendo que a criatividade está cada vez mais em evidência. Uma força de trabalho produtiva significa uma força de trabalho com criatividade não só para desenvolver novos produtos, mas para adaptar-se a novas situações e descobrir novas formas para processos antigos.

 

É interessante notar que o investimento em criatividade nas empresas deve levar em consideração a qualidade de vida do seu capital humano. Trata-se de investimento diferenciado, que deve integrar saúde física e mental, além de componentes estruturais e organizacionais.Um investimento que funciona com um círculo virtuoso, um ambiente com qualidade de vida e com foco na promoção de saúde dos funcionários repercute em um ambiente propício ao desenvolvimento da criatividade que por sua vez possibilita viver melhor, perceber os acontecimentos de forma diferente e buscar soluções para problemas pessoais e profissionais.

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Dr. José Hamilton
Promovida Gestão de Saúde e Produtividade