Tabagismo: Resumo do último consenso brasileiro sobre abordagem e tratamento do fumante

O tabagismo gera atualmente cerca de 4 milhões de mortes por ano no mundo inteiro, dentro de uma população de 1,3 bilhões de fumantes no planeta. Se o padrão atual de consumo de cigarro não for revertido, o número de mortes poderá chegar a 10 milhões de óbitos anuais em 2030.
Os dados referentes aos malefícios do cigarro já foram devidamente estudados e confirmados. O tabagismo responde atualmente por 40 a 45% de todas as mortes por câncer em geral, 90 a 95% das mortes por câncer de pulmão, 75% das mortes por DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica, tendo o Enfisema Pulmonar como exemplo) e 35% das mortes por doenças cardiovasculares (Infarto do Coração e Derrame Cerebral), entre homens e mulheres de 35 a 69 anos de idade.
Apesar destes dados parecerem impressionantes, grande parcela dos fumantes não se convence dos riscos á saúde e predisposição à doenças graves que estão correndo.

O que é?
Tabagismo é o hábito de fumar adquirido por uma pessoa. Por motivos diversos, a pessoa começa a fumar, mas com o tempo aparece a dependência física à nicotina. Estímulos sociais, culturais e comportamentais também reforçam seu hábito e determinam a dependência psicológica ao tabaco.
A dependência à nicotina é semelhante a outras drogas como cocaína, heroína, morfina etc., constituindo um problema médico que requer um tratamento específico.
Desde 1992 a Organização Mundial da Saúde, na Classificação Internacional de Doenças (CID), catalogou o tabagismo como “uma desordem mental e de comportamento em razão da síndrome da dependência à nicotina”.

O que causa a dependência do cigarro?
A nicotina, que é encontrada em todos os derivados do tabaco (charuto, cachimbo, cigarro de palha, cigarros comuns, etc.) é a droga que causa dependência. Esta substância é psicoativa, isto é, produz a sensação de prazer, o que pode induzir ao abuso e à dependência. Ao ser ingerida, produz alterações no cérebro, modificando assim o estado emocional e comportamental dos indivíduos, da mesma forma como ocorre com a cocaína, heroína e o álcool.
Com a ingestão contínua da nicotina, o cérebro se adapta e passa a precisar de doses cada vez maiores para manter o mesmo nível de satisfação que tinha no início. Esse efeito é chamado de tolerância à droga. Com o passar do tempo, o fumante passa a ter necessidade de consumir cada vez mais cigarros. De tal forma que, a quantidade média de cigarros fumados na adolescência, nove por dia, na idade adulta passa a ser de 20 cigarros por dia. Com a dependência, cresce também o risco de se contrair doenças crônicas e debilitantes, que podem levar à invalidez e à morte.

Quais são as conseqüências?
Muitos estudos desenvolvidos até o momento evidenciam sempre o mesmo: o consumo de derivados do tabaco causa quase 50 doenças diferentes, principalmente as doenças cardiovasculares (infarto, angina,derrame) o câncer e as doenças respiratórias obstrutivas crônicas (enfisema e bronquite).

Além disso, esses estudos mostram que o tabagismo é responsável por:
– 200 mil mortes por ano no Brasil (23 pessoas por hora);
– 25% das mortes causadas por doença coronariana – angina e infarto do miocárdio;
– 45% das mortes causadas por doença coronariana na faixa etária abaixo dos 60 anos;
– 45% das mortes por infarto agudo do miocárdio na faixa etária abaixo de 65 anos;
– 85% das mortes causadas por bronquite e enfisema;
– 90% dos casos de câncer no pulmão (entre os 10% restantes, 1/3 é de fumantes passivos);
– 30% das mortes decorrentes de outros tipos de câncer (de boca, laringe, faringe, esôfago, pâncreas, rim, bexiga e colo de útero);
– 25% das doenças vasculares (entre elas, derrame cerebral).

O tabagismo ainda pode causar:
– impotência sexual no homem;
– complicações na gravidez;
– aneurismas arteriais;
– úlcera do aparelho digestivo;
– infecções respiratórias;
– trombose vascular.

Como tratar?
1 – Abordagem Cognitivo-Comportamental:
É uma abordagem que combina intervenções cognitivas com treinamento de habilidades comportamentais, e que é muito utilizada para o tratamento das dependências. Esse tipo de tratamento geralmente é feito por psicólogos ou médicos treinados. Os componentes principais dessa abordagem envolvem: 1) a detecção de situações de risco de recaída; 2) o desenvolvimento de estratégias de enfrentamento. Dentre as várias estratégias empregadas nesse tipo de abordagem, temos, por exemplo, a auto-monitoração, o controle de estímulos e o emprego de técnicas de relaxamento. Em essência, esse tipo de abordagem envolve o estímulo ao auto-controle ou auto-manejo para que o indivíduo possa aprender como escapar do ciclo vicioso da dependência e a tornar-se assim um agente de mudança de seu próprio comportamento.
Os estudos mostram que, qualquer que seja a duração dessa abordagem, há um aumento da taxa de abstinência, ou seja, do tempo que o indivíduo fica sem fumar.
Diante disto, quanto maior o tempo total da abordagem cognitivo- comportamental maior será o tempo em que o indivíduo ficará sem fumar teoricamente.

2 – Tratamento Farmacológico (ou medicamentoso):
O tratamento medicamentoso pode ser utilizado como um apoio, em situações bem definidas, para alguns pacientes que desejam parar de fumar. Esse tratamento tem a função de facilitar a abordagem cognitivo-comportamental, que é a base para parar de fumar.
Existem, no momento, algumas medicações de eficácia comprovada na cessação de fumar. Esses medicamentos eficazes são divididos em duas categorias: medicamentos nicotínicos e medicamentos não-nicotínicos.
Os medicamentos nicotínicos, também chamados de Terapia de Reposição de Nicotina (TRN), se apresentam nas formas de adesivo, goma de mascar, inalador e aerossol. As duas primeiras correspondem a formas de liberação lenta de nicotina, e são, no momento, as únicas formas disponíveis no mercado brasileiro. O inalador e o aerossol são formas de liberação rápida de nicotina e ainda não estão disponíveis em nosso mercado.
Os medicamentos não-nicotínicos são os anti-depressivos bupropiona e nortriptilina, e o anti-hipertensivo clonidina. A bupropiona é o medicamento de eleição nesse grupo, pois segundo estudos científicos, é um medicamento que não apresenta, na grande maioria dos casos, efeitos colaterais importantes.
A TRN (adesivo ou goma de mascar) e a bupropiona são considerados medicamentos de 1ª linha, e devem ser utilizados preferencialmente. A nortriptilina e a clonidina são medicamentos de 2ª linha, e só devem ser utilizados após insucesso das medicações de 1ª linha.
Critérios para utilização do tratamento medicamentoso:
Para prescrição de apoio medicamentoso, sugerimos critérios de acordo com o grau de dependência física da nicotina:
1. Fumantes pesados, ou seja, que fumam 20 ou mais cigarros por dia;
2. Fumantes que fumam o 1º cigarro até 30 minutos após acordar e fumam no mínimo 10 cigarros por dia;
3. Fumantes com escore do teste de Fagerström, igual ou maior do que 5, ou avaliação individual, a critério do profissional;
4. Fumantes que já tentaram parar de fumar anteriormente apenas com a abordagem cognitivo-comportamental, mas não obtiveram êxito devido a sintomas da síndrome de abstinência;
5. Não haver contra-indicações clínicas.

Quais são os benefícios para o organismo ao parar de fumar?
Quando comparadas com as pessoas que continuam a fumar, as que deixam de fumar antes dos 50 anos de idade apresentam uma redução de 50% no risco de morte por doenças relacionadas ao tabagismo após 16 anos sem fumar.
O risco de morte por câncer de pulmão sofre uma redução de 30 a 50% em ambos os sexos após 10 anos sem fumar; e o risco de doenças cardiovasculares (Derrame Cerebral e Infarto do Coração) cai pela metade após um ano sem fumar.

Considerações finais:
Como prevenir o tabagismo?

Pesquisas entre adolescentes no Brasil mostram que os principais fatores que favorecem o tabagismo entre os jovens são a curiosidade pelo produto, a imitação do comportamento do adulto, a necessidade de auto-afirmação e o encorajamento proporcionado pela propaganda. Noventa por cento (90%) dos fumantes iniciaram seu consumo antes dos 19 anos de idade, faixa etária em que o indivíduo ainda se encontra na fase de construção de sua personalidade. Portanto, uma boa educação em saúde, bem como um bom exemplo dos pais, familiares e professores, são essenciais para que uma criança não se torne fumante na idade adulta.

Edição e texto:
Dr. Henrique Braga.

Referência:

Abordagem e Tratamento do Fumante – Consenso 2001. Rio de Janeiro: INCA, 2001
Ministério da Saúde

Tabaco é a droga de 1,3 bilhão de pessoas no planeta

Cigarro Não

Os números são alarmantes. A Organização Mundial da Saúde estima que, a cada dia, 100 mil crianças tornem-se fumantes em todo o mundo. Cerca de 4 milhões de pessoas morrem, por ano, no planeta vítimas do uso do tabaco -metade delas com idades entre 35 e 69, no auge de sua vida produtiva. Nesse ritmo, até 2020, o número de vítimas fatais subirá para 10 milhões de mortes ao ano. Isso porque o tabagismo está ligado a 50 tipos de doenças, como câncer de pulmão, de boca e de faringe, além de cardiopatias.

Segundo a OMS, o fumo é uma das principais causa de morte evitável, hoje, no planeta. Um terço da população mundial adulta – cerca de 1,3 bilhão de pessoas, entre as quais, 200 milhões de mulheres – é de fumantes. Pesquisas comprovam que aproximadamente 47% da população masculina e 12% da população feminina no mundo fuma. Nos países em desenvolvimento, os fumantes somam 48% da população masculina e 7% da população feminina, enquanto nos desenvolvidos, a participação das mulheres mais do que triplica, num total de 42% dos homens e 24% das mulheres.

No Brasil, inquérito realizado recentemente pelo Ministério da Saúde/Instituto Nacional de Câncer mostrou que 18,8% da população brasileira é fumante (22,7% da população masculina e 16% da feminina). Cabe lembrar que em 1989, de acordo com Pesquisa Nacional sobre Saúde e Nutrição (Ministério da Saúde/INAN,1989) este percentual era de cerca de 32%.

Fonte: Ministério da Saúde

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Estresse é o inimigo dos fumantes. Pesquisa inédita revela este fato!

Tabagismo X Produtividade

O Setor de Psicologia do HCor – Hospital do Coração realizou um estudo inédito e identificou os fatores mais freqüentes da recaída no tratamento de fumantes. Durante a pesquisa foram avaliados 61 pacientes fumantes e o resultado apontou que os motivos mais freqüentes para a recaída são estresse (62%) e ansiedade (19%).

Segundo Silvia Cury Ismael, chefe do Setor de Psicologia do HCor, durante a pesquisa foi detectado que o fumante não pode ser tratado apenas com medicação. “Conseguimos verificar que o apoio psicológico é fundamental ao paciente fumante. A conclusão do estudo apresenta um aumento de 20% no sucesso do tratamento em relação ao uso de medicamentos – isto mostra que o fumante não pode ser apenas tratado do ponto de vista físico, mas também do psicológico”, esclarece Silvia.

Além disso, o estudo revela que se o paciente nunca tentou parar de fumar e usa o cigarro como estimulante, ele tem até seis vezes mais chances de recaída. Já no grupo de pacientes insatisfeitos com questões pessoais, o índice de recaída é cinco vezes maior. Um dado alarmante é que estudos realizados revelavam que os jovens começavam a fumar antes dos 19 anos, mais freqüentemente entre 10 e 15 anos, principalmente por influência de pais fumantes e amigos.

Fatores de risco para a recaída:
• maior número de anos que o paciente fuma;
• menor número de cigarros fumados por dia;
• morar com outros fumantes;
• menor teor de nicotina do cigarro;
• menor freqüência nas sessões do tratamento.

Motivos para o paciente fumar:
• Estimulação externa
• Entusiasmo
• Dificuldade de ficar sem fumar em locais proibidos
• Ter dó de si mesmo
• Insatisfação no trabalho
• Insatisfação em relação à vida sexual

Dr. José Hamilton
PROMOVIDA Gestão de Saúde e Produtividade

Tabagismo: Saiba porquê e o que fazer para parar de fumar

Disque Pare de Fumar

No dia 29 de agosto é celebrado o Dia Nacional de Combate ao Fumo.

O tabagismo pode levar à dezenas de doenças, dentre estas, vários tipos de cânceres e até mesmo impotência sexual.

Através de inúmeros estudos populacionais, tendo a medicina baseada em evidências como ferramenta de análise principal, constatou-se que 90% dos casos de câncer de pulmão estão diretamente ligados ao péssimo hábito de fumar.

Para mim, só esse dado já seria o suficiente para não fumar. Mas para ter acesso a maiores detalhes sobre o tabagismo no Brasil e no Mundo, bem como uma lista de dezenas de doenças por ele causadas, acesse o link abaixo:
http://www.inca.gov.br/releases/press_release_view.asp?ID=1493

O Ministério da Saúde em conjunto com as Secretarias de Saúde Regionais e o INCA, disponibiliza programas especializados e medicamentos gratuitos para o tratamento do Tabagismo. Saiba mais acessando: http://www.inca.gov.br/tabagismo/
Ou consulte um médico mais próximo de você.

Dica: Em muitos postos de saúde já existem programas de promoção de saúde voltados para o combate ao tabagismo.

Dr. Henrique Braga
PROMOVIDA Gestão Integrada de Saúde e Produtividade